quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

MPDFT ajuíza ação direta de inconstitucionalidade contra PDOT-DF

O Procurador-Geral de Justiça do Distrito Federal e Territórios, Leonardo Azeredo Bandarra, ajuizou ação direta de inconstitucionalidade contra a Lei Complementar 803/2009, que promoveu a revisão do Plano Diretor de Ordenamento Territorial do Distrito Federal (PDOT).

Na ação, elaborada após análise da lei pelas Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e da Ordem Urbanística, aponta-se vícios de inconstitucionalidade formal e material, que evidenciam a violação a normas da Lei Orgânica do Distrito Federal (LODF) e da Constituição Federal.

O MPDFT também transcreveu na ação depoimento constante dos autos do Inquérito nº 650, em tramitação no STJ, deu origem à Operação Caixa de Pandora, em que se afirma que houve "pagamento dos deputados distritais da base do governo em razão da aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial do DF" e que tal pagamento teria sido realizado com dinheiro "arrecadado entre as empresas que se beneficiaram com a aprovação do PDOT" .

Entre os vícios apontados, destacam-se:

- substituição do projeto original por um Substitutivo de autoria de Vários Deputados (vício de iniciativa da lei) - Ofensa ao princípio da separação dos poderes;

- desvirtuamento completo do projeto original (285 artigos), com a provação de centenas de emendas parlamentares, muitas delas em 2º turno (redação final com 330 artigos);

- inclusão de emendas de forma isolada e desvinculada de estudos urbanísticos globais;

- inclusão de novas áreas e setores habitacionais por emenda parlamentar, com nítido aumento de despesa não prevista (violação ao art. 72, I, da LODF);

- inclusão de matérias sem qualquer pertinência temática com o projeto (ex: matérias que deveriam constar somente da Lei de Uso e Ocupação);

- discussão com a sociedade somente após o envio do projeto de lei ao Legislativo, e não antes, como determina a LODF;

- inobservância da necessidade de ocupação ordenada do território do Distrito Federal, com o devido respeito ao meio ambiente e ao patrimônio urbanístico;

- alteração da destinação de diversas áreas do território do Distrito Federal de forma isolada e desvinculada de estudos urbanísticos globais;

- falta de um planejamento conjunto e global para o estabelecimento do "macrozoneamento com critérios e diretrizes gerais para uso e ocupação do solo", bem como para a definição das "estratégias de intervenção sobre o território" e da "utilização dos instrumentos de ordenamento territorial e de desenvolvimento urbano" (art. 316);

- violação de disposições da LODF que tratam da Política Urbana (art. 312 e seguintes) e de princípios como a "adequada distribuição espacial das atividades sócio-econômicas e dos equipamentos urbanos e comunitários" (art. 312, inc. I) , da "justa distribuição dos benefícios e ônus decorrentes do processo de urbanização" (art. 314, inc. III) e da "prevalência do interesse coletivo sobre o individual e do interesse público sobre o privado" (inc. V);

- falta da aprovação das coordenadas delimitadoras das áreas do PDOT em Memorial Descritivo;

- deficiência relacionada à efetiva participação da sociedade na elaboração e aprovação do PDOT (falta de informações importantes);

- estabelecimento de novas ocupações e usos para o território sem o prévio zoneamento ecológico-econômico e sem estudo prévio de impacto ambiental (violação ao artigo 289, § 1º, da Lei Orgânica);

- desrespeito ao zoneamento ambiental e ao plano de manejo das unidades de conservação da natureza, em afronta ao artigo 317, § 3º, da Lei Orgânica; e

- inobservância da necessária proteção do meio ambiente. Violação ao artigo 280 da LODF que estabelece expressamente que "as terras públicas, consideradas de interesse para a proteção ambiental, não poderão ser transferidas a particulares, a qualquer título".


Nota do Fórum das ONGs Ambientalistas do DF

A Diretoria Colegiada do Fórum das Ongs Ambientalistas do DF e Entorno torna público o seguinte comunicado:

Considerando a gravidade das denúncias veiculadas contra o alto escalão do Governo do DF, aí incluídos inúmeros Parlamentares da base do governo;
Considerando que os titulares dos principais conselhos ambientais do DF (CONAM e CRH) são os Secretários de Estado e que muitos deles estão diretamente envolvidos nas denúncias veiculadas;
Considerando que toda a fiscalização do DF está subordinada ao Secretário da Ordem Pública e Corregedor do DF diretamente citado nas denúncias;
Considerando o desmonte que foi realizado pelo Governo Arruda na área ambiental onde todo o setor de licenciamento, análise de processos e todos os conselhos ficaram paralisados por mais de um ano a partir da posse do Governador;
Considerando o processo espúrio de aprovação do PDOT, onde todos os argumentos técnicos e políticos foram atropelados em favor de uma postura de favorecimento da especulação imobiliária e em desfavor dos recursos naturais e da qualidade de vida dos cidadãos;
Considerando as medidas tomadas pelas empresas públicas de tomar decisão sobre procedimentos técnicos que afetam diretamente a vida e o bolso de cada cidadão do DF (abastecimento de água e saneamento do DF) sem considerar os mecanismos existentes de controle social.

O Forum das ONGs Ambientalistas do DF e Entorno vem a público comunicar sua decisão de suspender sua participação em todos os conselhos de Políticas Públicas ambientais do DF onde representa a sociedade civil e que se encontram abaixo listados até que se restabeleça a legitimidade da Governança do DF e que suficientes explicações e atitudes sejam tomadas pelos poderes constituídos do DF no sentido de afastar os envolvidos nos graves fatos tornados públicos nos últimos dias.

O Fórum das ONGs conclama todos os cidadãos a manifestarem seu repúdio às atitudes denunciadas e a apoiarem o pedido deste Fórum no sentido de que todos os conselhos de políticas públicas sejam paralisados e proibidos de deliberarem sobre quaisquer matérias de interesse da sociedade até que a legitimidade seja restabelecida neste Distrito Federal com uma apuração ampla precedida do afastamento de todos os envolvidos nas denúncias.

O Fórum das ONGs Ambientalistas do DF e Entorno solicita ao Ministério Público do DF que tome as medidas judiciais cabíveis para paralisar o funcionamento destes Conselhos face ao envolvimento direto e protagonismo dos Secretários de Estado e de seus representantes envolvidos nas denúncias amplamente veiculadas na imprensa e dispostas no inquérito judicial pertinente.

Conselhos Ambientais que possuem representação do Fórum:

Conselho de Meio Ambiente do DF - CONAM
Conselho de Recursos Hídricos do DF - CRH-DF
Conselho da Apa Gama Cabeça de Veado
Conselho da APA do Paranoá
Conselho da Reserva da Biosfera do Cerrado
Comissão do Programa Abrace um Parque
Fórum da Agenda 21 do DF
Grupo de apoio à Diretoria Provisória do Comitê de Bacia do Rio Paranoá

Ocupaçao da câmara legislativa do DF - ATO FORA ARRUDA

Notícia do CMI - (movimento fora Arruda e toda a máfia)



Às 14:30h de quarta-feira (02/12/09), cerca de 400 pessoas do movimento popular, sindical e estudantil ocuparam a câmara legislativa do DF (CLDF). A ocupação ocorreu durante um ato de entrega de um pedido de impeachment contra o governador Arruda e seu vice Paulo Octávio, além de todos os parlamentares/membros do governo envolvidos em processos de corrupção. O movimento seguiu por toda a tarde ocupando o plenário da câmara, só saindo do mesmo para que fosse aberta a sessão que instaurou o processo de impeachment por parte da CLDF. Após isso, o movimento - que se denominou "Fora Arruda e toda máfia" decidiu permanecer no local e manter a ocupação até que seja encaminhado definitivamente a queda da admnistração do GDF. O movimento se organizou a partir de comissões de logistica, comunicação, mobilização e segurança, além de definir uma agenda de atividades para o próximo dia.

Além da ocupação da CLDF, muitas atividades foram programadas para os próximos dias na cidade. Uma série de categorias sindicais marcaram assembléias nesta semana em que a pauta do "Fora Arruda" estará preesente (Destaque à assembléia de professores/as que ocorrerá na quinta-feira às 15 horas em frente ao Buritinga - sede do GDF). Grupos do movimento estundantil marcaram uma atividade de fechamento da w3, importante via da cidade, para as 09:00h. Às 14:00hs artistas se manifestarão na secretaria de cultura do GDF questionando a má política no setor. E para o final de semana estão programadas uma série de atividades de agitação em diversas localidades do DF. Tudo convergindo para um grande ato na próxima quarta-feira, dia 09 de dezembro, na praça do Buriti.

Todas essas ações refletem o momento que vive o Governo Arruda no Distrito Federal. Após a deflagração da operação "caixa de pandora" (da polícia federal) uma espiral de denúncias se espalhou envolvendo um grande número de membros do executivo e legislativo pelo DF. Desde então muitas coisas ocorreram: secretários se afastarm ou foram afastados de seus cargos; quatro partidos da base aliada (PDT, PPS, PSB E PSDB) se retiraram do governo; os deputados distritais Bruneli e Leonardo Prudente, denunciados, pediram afastamento de 60 dias do cargo; uma série de entidades, partidos políticos e a Ordem dos Advogados do Brasil abriram processos de impeachment contra o governador, entre uma série de outras políticas. A mídia local, de propriedade do vice-governador Paulo Octávio, segue dando voz ao governo, criminalizando os movimentos e abafando as graves denúncias. Em vào, pois o movimento só cresce e a credibilidade desses meios diminui.

O desfecho desta grave crise ainda é incerto, mas certamente o vetor social será determinante para uma saída conservadora, progressista ou reconciliadora. A luta decidirá.
 
 

Panetone para o Natal!!!!!