Uma das propostas da Rádio Antena Negra é dar "voz a um mundo onde caibam muitas outras coisas, rico em cultura, informação e sabedoria", abrangendo música, notícias, manifestos e anarquia em geral. A emissora funciona na região central de Porto Alegre (RS). Confira a entrevista abaixo que eles e elas concederam à ANA, Agência de Notícias Anarquistas .
ANA - Conte um pouquinho da história da rádio Antena Negra, como ela surgiu, em que contexto... Aliás, este é um projeto anarquista?
Antena Negra - Este é um projeto 100% libertário, levado a cabo por ativistas de diferentes áreas, alguns delxs com experiências prévias em rádio, que se reuniram para desobedecer, resistir e insistir na idéia de formação de uma rede de transmissão de rádio ampla capaz de fazer frente ao monopólio da mídia corporativa.
A rádio surge em um contexto pouco convencional, tocada por ativistas cansados de terem a imagem de movimentos sociais e dissidentes, jogada na lama pela mídia corporativa, mas também num contexto de um estado repressor e reacionário que é o Rio Grande do Sul, que não a toa foi o estado de origem de diversos ditadores do período militar.
ANA - Mas em que ano ela surge?
Antena - A rádio surge com esse nome em Julho de 2007, a partir de uma idéia antiga e muita vontade, mas ainda haviam muitas lacunas e muito pouca gente para pegar junto. Tivemos muitos problemas técnicos para resolver, isso aliado a muita paranóia com a repressão resultou em grandes intervalos de transmissão para reestruturação.
Em alguns momentos pareceu mesmo que ela nunca voltaria para o ar e que o projeto estava arruinado antes mesmo de engrenar. Algunxs de nós ainda têm essa sensação de que estamos antes de um início de fato, porque o que querem fazer é sempre algo maior. Mas hoje festejamos o fato de estarmos no ar todos os dias da semana, e novos grupos estão se juntando ao projeto, o que consideramos muito bom por tornar
possível dar visibilidade à diversidade inerente à nossa proposta libertária, isso tudo em uma única iniciativa.
ANA - Esta é uma rádio tradicional, com freqüência, ou só funciona pela internet?
Antena - A Antena Negra é transmitida pela freqüência 92.5 FM para toda a região central da cidade de Porto Alegre, e também pela internet para todo o mundo pelo endereço http://giss.tv:8000/antena_ negra.mp3.m3u. Atualmente só transmitimos das 18h30 às 22h30 devido a questões técnicas, e também pelo fato de optarmos por não repetir a programação. Nosso objetivo é fechar uma grade de programação cada vez mais extensa, através da parceria com coletivos e indivíduos de aspiração libertária. A Antena Negra não é uma rádio tradicional porque seus conteúdos podem ser produzidos e ir para o ar de qualquer lugar, sem a necessidade de um estúdio central ou equipamentos sofisticados. Também não é uma rádio tradicional na medida em que apostamos na transmissão via internet para transmissores de FM que têm suas localizações mantidas em sigilo até mesmo da maioria dxs comunicadores, sendo conhecidas apenas pelo coletivo técnico. Isso é necessário porque grande parte das apreensões da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) se dá a partir de denúncias que especificam o local da transmissão. Esta é uma medida que busca também
proteger os coletivos que tocam os programas, assim estão apenas fazendo uma transmissão via internet.
ANA - Então a rádio não funciona num lugar fixo?
Antena - Em parte sim, em parte não. Somos muito adaptáveis. A captação pode se dar de qualquer PC. Os programas podem ser ao vivo se estiverem conectados à internet ou gravados e passados para algum outro comunicador que vai fazer o streaming para o transmissor. Buscamos trabalhar com a tecnologia disponível, a maioria dos programas é feita apenas com um computador e um microfone simples, e ainda assim garantimos
uma qualidade muito próxima de uma rádio convencional, mostrando que não é preciso de milhares de reais para se fazer um bom veículo de comunicação.
ANA - E é uma rádio juridicamente legal, ou assumem o título de rádio pirata?
Antena - É uma rádio muito legal, nos divertimos bastante fazendo rádio. Mas é uma rádio juridicamente ilegal porque não somos amigos de nenhum político gordo e rico, nem temos lobbistas no senado para termos uma concessão. Aliás, somos contra essa atitude de se arrastar atrás de con$e$$ões, até porque isso soaria estranho vindo de uma rádio anti-estatal. Não precisamos de nada que venha do estado para nos sentirmos legítimos. Ninguém tem o direito de nos governar. Quanto a assumir o título de pirata, como não somos nós que estamos sempre atrás do ouro, esse título não nos cabe. Estamos mais para uma rádio resistência, uma rádio guerrilha, uma freqüência libertada, fazemos rádio como um exercício de liberdade comunicativa.
ANA - E como é a programação?
Antena - A programação tenta abranger todas as pessoas e coletivos envolvidos na construção da rádio, de forma horizontal e não burocrática. Cada um tem seu espaço, e os horários e temáticas mais gerais são definidos em reunião ou através de e-mail, telefone, etc. As pessoas que assumem a tarefa de tocar um programa, individualmente ou em grupo, têm autonomia sobre seus programas, e no fim das contas a programação vira um mosaico fluído construído coletivamente por todas essas informações, opiniões e sons. A rádio transmite diversos gêneros musicais, sempre misturados a noticias, chamadas, relatos, opiniões e manifestos... dando voz a um mundo onde caibam muitas outras coisas, rico em cultura, informação e sabedoria; o que a mídia corporativa tanto abomina e culposamente ignora!
ANA- Vocês já tiveram a experiência de transmitir um evento, como uma manifestação, ao vivo?
Antena - Em agosto do ano passado o programa Vozes da Rua fez a cobertura da 3ª Marcha Lésbica de Porto Alegre. No final daquele mesmo ano, o programa o Centro é do Povo reportou algumas manifestações dxs camelôs expulsos do centro de Porto Alegre por conta de um projeto higienista de revitalização que está excluindo a população pobre da região central da cidade. Nenhuma das coberturas se deu ao vivo, mas foram gravadas e veiculadas no mesmo dia dos acontecimentos. Estamos planejando fazer a cobertura ao vivo da Feira do Livro Anarquista que está sendo planejada para a cidade num futuro próximo, mas ainda sem data definida.
ANA - E como vocês se viram com as questões dos custos?
Antena - Como todo veículo de comunicação independente a grana é sempre um problema, mas nos viramos fazendo festas, camisetas e angariando contribuições dos participantes do coletivo e colaboradores em geral. Esse processo apesar de trabalhoso é fundamental para a construção de uma rádio realmente livre. Algumas pessoas falam em apoio estatal para a construção de mídias livres, mas não concordamos com essa visão, a independência de uma rádio ou qualquer veículo de informação está totalmente ligada a sua capacidade de se auto-sustentar.
ANA - O fator grana continua sendo a tarefa mais árdua para se manter uma rádio no ar?
Antena - Apesar de ser um fator problemático, a grana é mais um dos nossos problemas, mas não a tarefa mais árdua. Com um coletivo amplo e disposto a ceder um pouco de tempo para construir eventos e outras formas de captação de recurso não é impossível de resolver. O fator de uma possibilidade de repressão é talvez o que mais incomoda e ao mesmo tempo exige mais da nossa criatividade. Ficar jogando xadrez com a Anatel é um verdadeiro pé no saco.
ANA - E já tiveram problemas com a repressão?
Antena - Mais ou menos, nunca fomos pegos, porque adotamos o ocultismo como estratégia política. Mas já sofremos repressão por parte de rádios comerciais que possuem freqüências próximas à nossa no dial: como têm equipamentos muito mais potentes que os nossos (inclusive alguns especialistas dizem que foram elas que
derrubaram a estação Mir e o muro de Berlin), elas ampliam sua potência para encobrir o nosso sinal. A Anatel está mais presente em nossas mentes paranóicas do que como uma possibilidade de repressão real, estamos alguns passos a frente deles.
ANA - Há alguma rádio libertária que vocês têm como referência, inspiração?
Antena - A antiga Rádio Alice de Bolonha, sem dúvida é uma inspiração presente. A rádio Muda é uma referência na nossa história, porque foi a partir da generosidade deles que pudemos contar com nosso primeiro transmissor provisório. Várias rádios comunitárias e livres, como aqui em Porto Alegre A Voz do Morro, do Morro Santana e da Rádio Quilombo da Restinga são nossas parceiras cujo trabalho respeitamos e acompanhamos.
ANA - Qual a dica que vocês dão para quem deseja montar uma rádio neste formato?
Antena - Organizem-se e busquem estabelecer parcerias com grupos que tenham o mesmo comprometimento, uma rádio pode ser tocada de diversas formas, o importante é encontrar formas de diminuir a tensão e se divertir informando. Antes de comprar um equipamento, procurem conhecê-lo suficientemente. Entrar em contato com pessoas que já tenham experiência facilita nas questões de operacionalização e manutenção. Estar sempre precavido e antecipar possíveis jogadas da repressão traz mais confiança e diminui o nível de paranóia. Aceitar como parceiros grupos que não estejam alinhados com idéias libertárias pode implicar em diversos problemas: grupos políticos partidários de pseudo-esquerda podem tentar roubar o seu equipamento, cuidado com elxs. Quando forem começar a transmitir tenham certeza de que sua(s) antena(s) e transmissor(es) estão em locais seguros e sigilosamente guardados, cuidem também para que o campo eletro-magnético de sua transmissão não esteja interferindo em outros sinais (como por exemplo de TV). Nunca caiam de um telhado e se forem adeptos da ação direta radical, não deixem de derrubar algumas das antenas de rádios comerciais.
ANA - Para finalizar, qual a opinião de vocês sobre as políticas de "democratização dos meios de comunicação" do governo Lula, a Confecom, inclusão digital...
Antena - Democracia há muito tempo é um significante vazio que elites eleitorais manipulam com a intenção de chegar ao poder. O Governo populista de Lula tem muitas faces, uma delas acabou atraindo muita gente capaz, ao menos por um tempo, que implementou projetos interessantes garantindo acesso à tecnologia para alguns grupos populares. Mas ao mesmo tempo, em sua outra face, esse mesmo governo reprimiu sem pudores muitas outras iniciativas autônomas e populares de comunicação, principalmente aquelas que não tinham rabo preso com ninguém. Por mais interessantes que possam ser esses projetos no âmbito governamental, provavelmente não irão sobreviver à alternância partidária do sistema político representocrático. É triste ver projetos interessantes criados por gente dedicada à transformação servindo na
próxima campanha política do PT para esconder a vergonhosa face da repressão. Se as contradições sociais tendem a se agravar, o estado só pode assumir uma postura cada vez mais autoritária e repressiva para garantir que o interesse das elites seja respeitado e que a empobrecida ex-classe média fique em seu lugar de
urbanóide-espectador-eleitor-consumidor-de-porcarias.
Antena Negra - Este é um projeto 100% libertário, levado a cabo por ativistas de diferentes áreas, alguns delxs com experiências prévias em rádio, que se reuniram para desobedecer, resistir e insistir na idéia de formação de uma rede de transmissão de rádio ampla capaz de fazer frente ao monopólio da mídia corporativa.
A rádio surge em um contexto pouco convencional, tocada por ativistas cansados de terem a imagem de movimentos sociais e dissidentes, jogada na lama pela mídia corporativa, mas também num contexto de um estado repressor e reacionário que é o Rio Grande do Sul, que não a toa foi o estado de origem de diversos ditadores do período militar.
ANA - Mas em que ano ela surge?
Antena - A rádio surge com esse nome em Julho de 2007, a partir de uma idéia antiga e muita vontade, mas ainda haviam muitas lacunas e muito pouca gente para pegar junto. Tivemos muitos problemas técnicos para resolver, isso aliado a muita paranóia com a repressão resultou em grandes intervalos de transmissão para reestruturação.
Em alguns momentos pareceu mesmo que ela nunca voltaria para o ar e que o projeto estava arruinado antes mesmo de engrenar. Algunxs de nós ainda têm essa sensação de que estamos antes de um início de fato, porque o que querem fazer é sempre algo maior. Mas hoje festejamos o fato de estarmos no ar todos os dias da semana, e novos grupos estão se juntando ao projeto, o que consideramos muito bom por tornar
possível dar visibilidade à diversidade inerente à nossa proposta libertária, isso tudo em uma única iniciativa.
ANA - Esta é uma rádio tradicional, com freqüência, ou só funciona pela internet?
Antena - A Antena Negra é transmitida pela freqüência 92.5 FM para toda a região central da cidade de Porto Alegre, e também pela internet para todo o mundo pelo endereço http://giss.tv:8000/antena_
proteger os coletivos que tocam os programas, assim estão apenas fazendo uma transmissão via internet.
ANA - Então a rádio não funciona num lugar fixo?
Antena - Em parte sim, em parte não. Somos muito adaptáveis. A captação pode se dar de qualquer PC. Os programas podem ser ao vivo se estiverem conectados à internet ou gravados e passados para algum outro comunicador que vai fazer o streaming para o transmissor. Buscamos trabalhar com a tecnologia disponível, a maioria dos programas é feita apenas com um computador e um microfone simples, e ainda assim garantimos
uma qualidade muito próxima de uma rádio convencional, mostrando que não é preciso de milhares de reais para se fazer um bom veículo de comunicação.
ANA - E é uma rádio juridicamente legal, ou assumem o título de rádio pirata?
Antena - É uma rádio muito legal, nos divertimos bastante fazendo rádio. Mas é uma rádio juridicamente ilegal porque não somos amigos de nenhum político gordo e rico, nem temos lobbistas no senado para termos uma concessão. Aliás, somos contra essa atitude de se arrastar atrás de con$e$$ões, até porque isso soaria estranho vindo de uma rádio anti-estatal. Não precisamos de nada que venha do estado para nos sentirmos legítimos. Ninguém tem o direito de nos governar. Quanto a assumir o título de pirata, como não somos nós que estamos sempre atrás do ouro, esse título não nos cabe. Estamos mais para uma rádio resistência, uma rádio guerrilha, uma freqüência libertada, fazemos rádio como um exercício de liberdade comunicativa.
ANA - E como é a programação?
Antena - A programação tenta abranger todas as pessoas e coletivos envolvidos na construção da rádio, de forma horizontal e não burocrática. Cada um tem seu espaço, e os horários e temáticas mais gerais são definidos em reunião ou através de e-mail, telefone, etc. As pessoas que assumem a tarefa de tocar um programa, individualmente ou em grupo, têm autonomia sobre seus programas, e no fim das contas a programação vira um mosaico fluído construído coletivamente por todas essas informações, opiniões e sons. A rádio transmite diversos gêneros musicais, sempre misturados a noticias, chamadas, relatos, opiniões e manifestos... dando voz a um mundo onde caibam muitas outras coisas, rico em cultura, informação e sabedoria; o que a mídia corporativa tanto abomina e culposamente ignora!
ANA- Vocês já tiveram a experiência de transmitir um evento, como uma manifestação, ao vivo?
Antena - Em agosto do ano passado o programa Vozes da Rua fez a cobertura da 3ª Marcha Lésbica de Porto Alegre. No final daquele mesmo ano, o programa o Centro é do Povo reportou algumas manifestações dxs camelôs expulsos do centro de Porto Alegre por conta de um projeto higienista de revitalização que está excluindo a população pobre da região central da cidade. Nenhuma das coberturas se deu ao vivo, mas foram gravadas e veiculadas no mesmo dia dos acontecimentos. Estamos planejando fazer a cobertura ao vivo da Feira do Livro Anarquista que está sendo planejada para a cidade num futuro próximo, mas ainda sem data definida.
ANA - E como vocês se viram com as questões dos custos?
Antena - Como todo veículo de comunicação independente a grana é sempre um problema, mas nos viramos fazendo festas, camisetas e angariando contribuições dos participantes do coletivo e colaboradores em geral. Esse processo apesar de trabalhoso é fundamental para a construção de uma rádio realmente livre. Algumas pessoas falam em apoio estatal para a construção de mídias livres, mas não concordamos com essa visão, a independência de uma rádio ou qualquer veículo de informação está totalmente ligada a sua capacidade de se auto-sustentar.
ANA - O fator grana continua sendo a tarefa mais árdua para se manter uma rádio no ar?
Antena - Apesar de ser um fator problemático, a grana é mais um dos nossos problemas, mas não a tarefa mais árdua. Com um coletivo amplo e disposto a ceder um pouco de tempo para construir eventos e outras formas de captação de recurso não é impossível de resolver. O fator de uma possibilidade de repressão é talvez o que mais incomoda e ao mesmo tempo exige mais da nossa criatividade. Ficar jogando xadrez com a Anatel é um verdadeiro pé no saco.
ANA - E já tiveram problemas com a repressão?
Antena - Mais ou menos, nunca fomos pegos, porque adotamos o ocultismo como estratégia política. Mas já sofremos repressão por parte de rádios comerciais que possuem freqüências próximas à nossa no dial: como têm equipamentos muito mais potentes que os nossos (inclusive alguns especialistas dizem que foram elas que
derrubaram a estação Mir e o muro de Berlin), elas ampliam sua potência para encobrir o nosso sinal. A Anatel está mais presente em nossas mentes paranóicas do que como uma possibilidade de repressão real, estamos alguns passos a frente deles.
ANA - Há alguma rádio libertária que vocês têm como referência, inspiração?
Antena - A antiga Rádio Alice de Bolonha, sem dúvida é uma inspiração presente. A rádio Muda é uma referência na nossa história, porque foi a partir da generosidade deles que pudemos contar com nosso primeiro transmissor provisório. Várias rádios comunitárias e livres, como aqui em Porto Alegre A Voz do Morro, do Morro Santana e da Rádio Quilombo da Restinga são nossas parceiras cujo trabalho respeitamos e acompanhamos.
ANA - Qual a dica que vocês dão para quem deseja montar uma rádio neste formato?
Antena - Organizem-se e busquem estabelecer parcerias com grupos que tenham o mesmo comprometimento, uma rádio pode ser tocada de diversas formas, o importante é encontrar formas de diminuir a tensão e se divertir informando. Antes de comprar um equipamento, procurem conhecê-lo suficientemente. Entrar em contato com pessoas que já tenham experiência facilita nas questões de operacionalização e manutenção. Estar sempre precavido e antecipar possíveis jogadas da repressão traz mais confiança e diminui o nível de paranóia. Aceitar como parceiros grupos que não estejam alinhados com idéias libertárias pode implicar em diversos problemas: grupos políticos partidários de pseudo-esquerda podem tentar roubar o seu equipamento, cuidado com elxs. Quando forem começar a transmitir tenham certeza de que sua(s) antena(s) e transmissor(es) estão em locais seguros e sigilosamente guardados, cuidem também para que o campo eletro-magnético de sua transmissão não esteja interferindo em outros sinais (como por exemplo de TV). Nunca caiam de um telhado e se forem adeptos da ação direta radical, não deixem de derrubar algumas das antenas de rádios comerciais.
ANA - Para finalizar, qual a opinião de vocês sobre as políticas de "democratização dos meios de comunicação" do governo Lula, a Confecom, inclusão digital...
Antena - Democracia há muito tempo é um significante vazio que elites eleitorais manipulam com a intenção de chegar ao poder. O Governo populista de Lula tem muitas faces, uma delas acabou atraindo muita gente capaz, ao menos por um tempo, que implementou projetos interessantes garantindo acesso à tecnologia para alguns grupos populares. Mas ao mesmo tempo, em sua outra face, esse mesmo governo reprimiu sem pudores muitas outras iniciativas autônomas e populares de comunicação, principalmente aquelas que não tinham rabo preso com ninguém. Por mais interessantes que possam ser esses projetos no âmbito governamental, provavelmente não irão sobreviver à alternância partidária do sistema político representocrático. É triste ver projetos interessantes criados por gente dedicada à transformação servindo na
próxima campanha política do PT para esconder a vergonhosa face da repressão. Se as contradições sociais tendem a se agravar, o estado só pode assumir uma postura cada vez mais autoritária e repressiva para garantir que o interesse das elites seja respeitado e que a empobrecida ex-classe média fique em seu lugar de
urbanóide-espectador-eleitor-consumidor-de-porcarias.
ANA- Mais alguma coisa?
Antena - Um "foda-se" especial para Hélio Costa (ex-ministro das Comunicações) e José Artur Filardi (atual ministro das Comunicações), e nossas saudações a todos os que lutam por um mundo sem ministrxo nem ministérios! Viva a Anarquia que é Ordem anti-hierarquia contra a monotonia!

1 comentários:
Saludos"
primeiro, parabéns pelo blog, o conheci hoje, estou muito contente de ver um reduto tão fantástico na internet.
segundo, parabéns pela matéria, achei muito interessante a rádio e numa passadinha pelo blog deles, já encomendei algumas publicaçoes de parceiros deles, ou seja, aumentando o contato clique a clique... o problema foi que nao consegui acessar o link, provavelmente algum problema no meu PC, vou consertar e conferir.
terceiro, estou a disposição do blog para escrever, pesquisar o que seja, contribuições. segue meu email: junnior350@yahoo.com.br
grande abraço e não pare!
tio TAZ
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