terça-feira, 31 de agosto de 2010

Perto de mil animais marinhos foram encontrados mortos ou debilitados nas praias da Baixada Santista

Perto de mil animais marinhos foram encontrados mortos ou debilitados nas praias da região. Ibama diz que morte de animais foi normal
(Recebido de Moésio Rebouças)

Os números são assustadores. Nos últimos oito meses quase mil animais marinhos foram encontrados mortos ou gravemente debilitados nas praias da Baixada Santista. Um número maior do que os registrados nos anos anteriores. Muitos animais - pingüins, tartarugas, golfinhos, atobás, albatrozes do mar, fragatas e outras aves oceânicas - já chegam mortos, com muita poluição dentro do estômago e em estado avançado de decomposição.

Em depoimentos à imprensa, alguns biólogos da região afirmaram que a causa do número elevado de mortes são várias, desde animais que foram arrastados pelas correntes marinhas, que colidiram com alguma embarcação ou foram abatidos por algum navio pesqueiro e descartados, que morreram de fome ou por ingestão de resíduos tóxicos.

Mas a declaração mais absurda que eu li na imprensa foi a da chefe do Ibama na Baixada Santista, Ingrid Maria Furlan Oberg, que achou “normal” todas estas mortandades. Abaixo eu deixo a matéria que ela “explica” esta “normalidade”.

Aliás, nesta matéria me chamou a atenção o fato das declarações da senhora Ingrid terem sido feitas no Cepema de Cubatão, inclusive com a presença de “ambientalistas”. Quais? Este órgão foi instalado no município em 2006 através de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) envolvendo a Petrobras. As principais áreas de atuação em pesquisa do Cepema, segundo seu site, são a avaliação de emissões atmosféricas, reuso de água e minimização de efluentes líquidos e gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos, e não em biodiversidade marinha. Um dos principais patrocinadores do Cepema é a Petrobras.

Por outro lado, me surpreende que ninguém tenha ao menos indagado que estas mortes possam estar relacionadas também com as atividades da Petrobras em alto mar, que está impactando a vida marinha, ou a construção do novo emissário submarino pela Sabesp na Praia Grande, cidade onde houve uma mortandade alta de animais.

Também não podemos nos esquecer que em 2007 e 2008 dezenas de baleias encalharam nas praias da Baixada Santista; e o Ibama, mais uma vez, tergiversou em suas declarações públicas, não relacionando os constantes encalhes com as perfurações sísmicas realizadas pela Petrobras e outras multinacionais petrolíferas para pesquisa e prospecção de petróleo e gás natural na Bacia de Santos.

Por que as autoridades, imprensa e muitos “ambientalistas” abafam, escondem e têm medo de falar das agressões da Petrobras à natureza, tanto do Brasil como dos outros países aonde ela atua?

Não é à toa que a Petrobras é a empresa brasileira que mais gasta dinheiro em “marketing verde” (propaganda “verde” para “limpar” a sua imagem em jornais, revistas, tevês, rádios, internet, patrocínio de eventos ou de ONGs ambientalistas, distribuição de materiais de educação ambiental ou até a criação de fundações, associações supostamente ecologistas etc.).

Sem trocadilho, mas, no fundo, estamos destruindo um dos mais importantes ecossistemas do Planeta, por ignorância, ganância, egoísmo, arrogância...

Oh, personalidade humana...

Viva o Pré-Sal!

Moésio Rebouças

Morte de animais no litoral de SP foi normal, diz Ibama
A grande quantidade de animais marinhos, a maioria pinguins, encontrados mortos nas praias da Baixada Santista na última semana está dentro da normalidade da época e não aconteceu devido há algum fato específico. A conclusão foi divulgada hoje pela chefe do escritório regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Ingrid Maria Furlan Oberg, depois de mais de três horas de reunião com veterinários, biólogos, pesquisadores e ambientalistas no Centro de Capacitação e Pesquisa em Meio Ambiente (Cepema), centro ligado à Universidade de São Paulo (USP) em Cubatão.

De acordo com Ingrid, o grupo que monitora o encalhe de animais marinhos não encontrou nenhuma condição além da normal nos testes e exames realizados até agora. "Os exames detalhados, as análises patológicas, só saem daqui uns 30 dias, mas não há nada que indique uma causa diferente nessas mortes", disse Ingrid, que acredita que a grande repercussão do fato - inclusive na imprensa internacional - aconteceu porque os animais apareceram em um curto período e concentrados em poucas praias.

"Mas acreditamos que isso aconteceu por causa da frente fria, que acabou trazendo todos de uma vez", disse Ingrid, que no começo da semana já havia divulgado que umas das prováveis causas era mesmo o clima - uma mudança meteorológica brusca ocorrida no litoral gaúcho durante o último fim de semana.

Ingrid revela, entretanto, que o número de animais que apareceram - pelo menos 535 pinguins, 28 tartarugas, seis golfinhos e algumas aves oceânicas, como atobás, fragatas, albatrozes e andorinhas-do-mar - está dentro da normalidade para o período do inverno, quando eles migram da Patagônia em direção as águas mais quentes do norte.

Em relação ao lixo e poluição ter causado a morte dos animais - conforme divulgou o Aquário de Santos na última terça-feira - esses foram casos específicos ocorridos com tartarugas, segundo Ingrid, e que também são comuns. "Isso não deveria ser normal, mas encontrar plástico dentro das tartarugas é algo que sempre acontece, pois elas confundem plástico com água-vivas e acabam ingerindo esse lixo, que não deveria estar no meio do oceano, mas infelizmente está", completa.

Fonte: Agência Estado

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